​Clínica clandestina é interditada em Aparecida de Goiânia

Clínica semelhante já foi interditada em Abadia e segundo informações não oficiais existem várias outras na cidade

Uma clínica de reabilitação clandestina foi interditada em Aparecida de Goiânia e seus internos encaminhados a familiares, a exemplo do que já aconteceu em Abadia de Goiás. Informações não oficiais dão conta de que em Abadia existem várias outras clínicas funcionando nos mesmos moldes.
A ação da Polícia Civil em Aparecida ocorreu após denúncias de torturas e maus-tratos contra dependentes químicos e portadores de doenças mentais. Os internos, de acordo com as informações, viviam em condições desumanas, eram agredidos e castigados.
O dono da clínica, cujo nome divulgado, não foi encontrado no local no momento da operação e, por isso, não pôde ser preso em flagrante.
A clínica fica localizada no Setor no Jardim das Cascatas e tinha 75 internos do sexo masculino, entre maiores e menores de idade. Apesar de irregular, o local cobrava o valor de R$ 1,2 mil por mês pelas internações.
Durante a fiscalização, a polícia constatou que a água utilizada para o consumo e banho era retirada de um córrego através de uma bomba, e portanto, não recebia nenhum tipo de tratamento. Vários internos mostraram pedaços de ferros que eram usados nas práticas de agressão e tortura.
“Eles tomavam água de um córrego sem tratamento. Havia uma bomba nesse córrego e eles tinham queixas de diarreia, vômito. Vários deles disseram que foram agredidos, espancados”, detalha o delegado do caso, Antônio André Santos Júnior.

Necessidades em balde

Aos policiais, os internos relataram que as condições dos alojamentos eram totalmente insalubres, chegando ao ponto de terem que dividir um banheiro com 44 pessoas. Fora isso, as necessidades básicas eram feitas dentro de um balde.
“Deu oito horas, é o lanche. Um pão para cada, pão seco”, contou uma das vítimas à reportagem.
“Nos medicam e colocam dentro da piscina, para ficar limpando a piscina. Quando o remédio fazia efeito, colocavam a gente no sol. Levavam no quartinho de cima, ali era pau, taca”, afirma outro.

“Eu tenho 16 [ anos ], mas aqui tinha de 14, 15, 16 e 17”, detalha outro.

Os familiares dos internos foram comunicados sobre a ação e sobre a situação das vítimas. Segundo a polícia, o dono da clínica pode responder pelos crimes de tortura, cárcere privado e maus-tratos.

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